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Alguns condomínios de Fortaleza procuram maneiras de reduzir o consumo de água. A medida foi tomada após a nova meta de redução de água ser iniciada, neste último domingo. Aplicada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a meta passou de 10% para 20%. “A gente tentou economizar na meta inicial, mas não conseguimos”, conta Eusébio João Fonteles, de 50 anos, síndico de um condomínio com 28 casas.

O condomínio onde Fonteles mora tem hidrômetros individualizados (alternativa indicada para combater o desperdício), mas a conta de água das áreas comuns, como o salão de festas, é rateada. Antes da aplicação da primeira tarifa de contingência, em dezembro de 2015, o valor da conta coletiva era de R$ 900. A cobrança, segundo ele, já chegou a R$ 2.100 com a meta de redução — um aumento de mais de 130%. “Pensamos em partir para os poços”, projeta.

De acordo com o vice-presidente de Comunicação do Sindicato de Habitação (Sincovi), Wilson Braga, a situação de Fonteles não é rara. Ele conta que um doscondomínios gerenciados pela entidade, com 120 unidades, teve um aumento de mais de 80%. “Nesse caso, o prédio usava poço. Mas, como ele secou devido à estiagem e foi na mesma época da tarifa, teve esse aumento”. O valor subiu de R$ 9 mil para R$ 17 mil.

Mesmo com medidas simples para tentar economizar, como a implantação de garrafa pet na caixa acoplada ao vaso sanitário, alternativas mais drásticas têm de ser tomadas. Foi o caso do condomínio onde mora Lucimar Alves, 53, no João XXIII. Síndica, ela optou por racionar água três vezes por semana por 24 horas. “A gente tem cisterna. Mas eu desligo o motor para economizar”. A conta variava entre R$ 20 mil e R$ 25 mil antes da tarifa de contingência inicial. O número de apartamentos no prédio é de 352. Com a taxa, os valores ultrapassaram a meta, somando R$ 1,5 mil excedentes. “Falta pouco para a gente conseguir bater a meta. Racionamento foi uma solução. Com a tarifa em 20%, a gente tem que pensar em mais alternativas”.

O contingenciamento de água em condomínios da Capital e RMF motivou o Sincovi a realizar ontem, no Hotel Gran Marquise, encontro com cerca de 150 síndicos da Grande Fortaleza. “A intenção é o debate sobre a crise hídrica do Estado (que está em seu quinto ano consecutivo de seca) e alternativas para contornarmos essa situação”, explicou Wilson Braga. Segundo ele, alguns síndicos já levantam a hipótese da compra d’água de carros-pipa em vez do recurso da Cagece.

Poços profundos

Conforme o geólogo e pesquisador Itabaraci Cavalcante, palestrante no evento, o problema em águas de carros-pipa e poços profundos “não é a quantidade, e sim a qualidade”. “A água subterrânea sempre foi utilizada, mas demanda análise”. Apesar de a construção de poço ser estratégia para driblar o racionamento, Cavalcante indica a importância da economia pelo consumidor. “Tudo depende da educação. Falta uma política incisiva do Governo de ‘ei, vai faltar água na sua torneira’”, indica.

Segundo o diretor de Planejamento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Ubirajara Patrício, é preciso solicitar outorga à Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) para a construção e uso de recursos de poços. “Se fizer uma perfuração de forma desordenada pode ocorrer a salinização daquela água, prejudicando o aquífero. É preciso ver todas as condições técnicas para essa alternativa”.

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